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clock 1 de outubro de 2026
Brasil realiza clonagem pioneira de porco para avançar em transplantes pelo SUS

Brasil realiza clonagem pioneira de porco para avançar em transplantes pelo SUS

Clonagem pioneira no Brasil: um marco na ciência

Em um avanço científico significativo, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram a clonagem do primeiro porco na América Latina, um feito que pode revolucionar o campo dos transplantes de órgãos. O animal nasceu no Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), em Piracicaba, São Paulo, marcando um passo crucial no desenvolvimento de suínos geneticamente modificados para fornecer órgãos a humanos, sem provocar rejeição imunológica.

Projeto liderado por cientistas renomados

O projeto de clonagem é capitaneado por Silvano Raia, cirurgião e professor da Faculdade de Medicina da USP, a geneticista Mayana Zatz, do Instituto de Biociências da USP, e o imunologista Jorge Kalil. Iniciado em 2019 em parceria com a farmacêutica EMS, o projeto ganhou impulso em 2022 com a criação do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "A clonagem de suínos é uma das técnicas mais difíceis de dominar para viabilizar o xenotransplante", declarou Ernesto Goulart, pesquisador principal do XenoBR.

Desafios e avanços na clonagem de suínos

Apesar da vasta experiência do Brasil na clonagem de bovinos e equinos, a clonagem de suínos apresentou desafios únicos. "Os porcos são mais desafiadores devido a razões biológicas ainda não totalmente compreendidas", explicou Goulart. No entanto, as semelhanças entre os órgãos de porcos e humanos tornam esses animais candidatos ideais para xenotransplantes. Para evitar a rejeição imunológica, é necessária a edição genética dos porcos, utilizando a tecnologia CRISPR/Cas9 para modificar seu genoma.

Instalações de ponta e futuro dos transplantes

Os porcos clonados estão sendo criados em laboratórios com alto nível de biossegurança, eliminando o risco de transmissão de patógenos aos receptores humanos. "As instalações têm altíssimo controle sanitário porque os órgãos serão um produto médico", destacou Goulart. A expectativa é que os órgãos dos suínos clonados, como rins, córneas, corações e pele, possam atender 94% da demanda do SUS, que realiza a maioria dos transplantes no Brasil.

O impacto estratégico do xenotransplante no Brasil

O domínio da tecnologia de xenotransplante é considerado estratégico para o Brasil, evitando a dependência de tecnologia estrangeira. "Se o xenotransplante se tornar uma realidade fora e não dominarmos essa tecnologia, nosso sistema de transplantes ficará vulnerável", avaliou Goulart. A cidade de São Paulo, com a maior casuística de transplante renal do mundo, pode se tornar a capital do xenotransplante na América Latina, beneficiando também países vizinhos.

O cenário global do xenotransplante

Até o momento, nenhum país obteve aprovação para xenotransplantes, embora estudos clínicos estejam em andamento nos Estados Unidos e China. "Mesmo se a sobrevida de um órgão for curta, ele já possibilita salvar vidas", afirmou Goulart, destacando que o uso de órgãos de porco pode servir como um "transplante ponte" até que um órgão humano compatível esteja disponível.

Perspectivas futuras e acessibilidade

Os pesquisadores esperam que o custo dos órgãos clonados no Brasil seja significativamente menor do que os comercializados por outros países, tornando o procedimento mais acessível. "Queremos difundir a tecnologia para os países vizinhos", finalizou Goulart, ressaltando o potencial do Brasil em liderar essa área inovadora na América Latina.

Foto: Reprodução / Ver-o-Fato - Feed - Principal

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