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clock 2 de outubro de 2026
Vandria Borari leva cerâmica amazônica ancestral para exposição em Milão

Vandria Borari leva cerâmica amazônica ancestral para exposição em Milão

A renomada artista ceramista e líder indígena Vandria Borari, oriunda da vila de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, prepara-se para levar sua arte a um dos mais prestigiados palcos culturais da Europa. Entre 29 de maio e 26 de junho de 2026, suas peças estarão em exibição na mostra coletiva 'No Hay Banda', organizada pela Conceptual Fine Arts, em Milão, Itália. Este evento reúne artistas de várias partes do mundo que exploram temas relacionados a território, memória, espiritualidade e arte contemporânea. A participação de Vandria na exposição será marcada pela instalação intitulada 'YUPIRANGÁWA', uma palavra de origem Nheengatu que significa "origem". A obra destaca a conexão entre os povos indígenas e a floresta amazônica, conhecida como "Kaa". A instalação revela a importância de elementos naturais como sementes, plantas medicinais, frutas e palmeiras na história e cultura da Amazônia. As esculturas de Vandria são inspiradas em vestígios paleoetnobotânicos descobertos em sítios arqueológicos na região do oeste do Pará. A pesquisa que fundamenta seu trabalho foi conduzida pela antropóloga Myrtle Pearl Shock, da Universidade Federal do Oeste do Pará. Com base em sementes ancestrais de tucumã, curuá, muruci e castanha-do-pará, a artista desenvolveu esculturas cerâmicas de grandes dimensões, que evocam a rica herança cultural e a resistência dos povos amazônicos. Esses elementos fazem referência a descobertas arqueológicas em locais históricos, como o Porto de Santarém e a Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre. Essas áreas são conhecidas pela presença de terra preta amazônica, vestígios cerâmicos e sinais de antigas ocupações humanas, oferecendo um vislumbre da vida dos povos originários que habitaram a floresta. A obra de Vandria Borari vai além da arte e se transforma em uma narrativa viva dos povos do Baixo Tapajós. Cada peça de cerâmica que ela cria é um testemunho de pertencimento, resistência cultural e da relação ancestral entre os povos indígenas e a Amazônia. "A arte é uma maneira de manter viva a memória dos nossos ancestrais e de compartilhar nossas histórias com o mundo", afirma Vandria Borari. A exposição 'No Hay Banda' em Milão representa uma oportunidade significativa para Vandria Borari e para a cultura amazônica, ao permitir que as vozes e tradições dos povos indígenas sejam ouvidas e apreciadas em um contexto internacional. Este evento não apenas destaca a beleza e a profundidade da arte amazônica, mas também reforça a importância da preservação cultural em um mundo cada vez mais globalizado.
Foto: Reprodução / G1 - Principal

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