Preocupações com a interferência política dos EUA
A historiadora e jornalista americana Anne Applebaum levantou preocupações sobre a possibilidade de a Casa Branca tentar influenciar as eleições brasileiras de 2026. Em entrevista ao jornal O Globo, a autora destacou o interesse contínuo dos círculos ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na política brasileira, ressaltando a afinidade ideológica com o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família.
Reconhecida por seu trabalho sobre regimes autoritários, Applebaum sublinhou que o movimento trumpista busca fortalecer grupos conservadores em todo o mundo, alinhados à agenda do “Make America Great Again” (Maga). Ela alertou que a administração americana poderia usar estratégias políticas e propagandísticas para influenciar o cenário eleitoral brasileiro.
Críticas ao governo Trump
Applebaum também criticou um fundo bilionário criado pelo governo Trump para indenizar aliados que alegam perseguição política durante a gestão de Joe Biden. Para ela, isso é um exemplo de uso da máquina pública para benefício político, com riscos de corrupção em larga escala devido ao controle de instituições como o Departamento de Justiça e o FBI.
Ela expressou preocupações sobre as eleições legislativas americanas, temendo que o trumpismo utilize mecanismos administrativos para contestar resultados ou dificultar o acesso às urnas.
Influência política global
No cenário internacional, Applebaum mencionou tentativas de interferência dos EUA na Hungria, alertando para o potencial de movimentos semelhantes no Brasil. Segundo ela, governos ideologicamente alinhados buscam influenciar processos democráticos em outros países para consolidar alianças políticas.
Apesar disso, a historiadora acredita que a reação popular a interferências estrangeiras costuma ser negativa, como já visto em reações políticas e econômicas no Brasil que fortaleceram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Comparações com regimes autoritários
Em seu livro “Cortina de Ferro”, Applebaum discute práticas de controle social e político por regimes autoritários. Ela observa semelhanças entre essas práticas e as estratégias atuais de governos populistas, destacando o uso da Justiça e da mídia, mas ressalta que contextos históricos diferem, com violência em massa sendo substituída por pressões políticas e econômicas.
Postura dos EUA na guerra da Ucrânia
Applebaum também criticou a condução do governo Trump nas negociações sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo ela, os EUA priorizaram acordos comerciais com Moscou em vez de pressionar pelo fim do conflito, enquanto o Kremlin busca destruir a soberania ucraniana.
A solução do conflito, de acordo com Applebaum, dependerá de Moscou perceber que não alcançará seus objetivos militares.