Impacto do terremoto na Venezuela e a resposta dos imigrantes
O recente terremoto que assolou a Venezuela deixou um rastro devastador, com mais de 1.700 mortos, milhares de feridos e um número ainda crescente de desaparecidos. Venezolanos que reconstruíram suas vidas em Santarém, no oeste do Pará, vivem momento de desespero e mobilização, enquanto acompanham os desdobramentos da tragédia a mais de dois mil quilômetros de distância.
Edwien León, mecânico residente em Santarém há oito anos, expressa a preocupação ao saber do desastre longe de sua família, que permanece na Venezuela. "Fico muito preocupado, passa o desespero de saber como está sua família, se está morto. Não é fácil estar distante e saber de uma tragédia dessas", afirmou Edwien, que não visita seu país natal há mais de dois anos.
Memórias de tragédias passadas e a mobilização atual
Jampiero León, primo de Edwien e também mecânico, relembra um episódio similar ocorrido em 2018, quando um terremoto atingiu o litoral venezuelano. "Durou um minuto e meio. Não foi para o centro do país, mas causou muita preocupação e medo nas pessoas", compartilhou Jampiero. Agora, ele observa de longe a tragédia de proporções muito maiores.
Os primos fazem parte de uma comunidade venezuelana ativa em Santarém que, mesmo distante, não cruzou os braços. Imigrantes venezuelanos na cidade organizam coletas de donativos para apoiar as vítimas do desastre.
Necessidades emergenciais e apoio psicológico
Analy Chica Galicia, coordenadora das ações de ajuda, destacou a urgência por insumos médicos, como gazes, bandagens, soluções salinas, álcool, luvas descartáveis, medicamentos injetáveis e equipamentos para socorristas. Itens de higiene pessoal e alimentos para bebês e adultos também são necessários. As doações podem ser entregues em pontos específicos na cidade.
A neuropsicóloga Suanne Souza explica que a distância em momentos de tragédia agrava sentimentos de impotência e insegurança. "É importante ter uma rede de apoio para expressar o que se sente e reduzir a ansiedade", aconselha, sugerindo busca por apoio psicológico profissional se necessário.
Solidariedade entre nações e esforços governamentais
Edwien León apela à solidariedade dos brasileiros: "O Brasil está muito perto da Venezuela. A fronteira não pode ser um problema entre os dois países. Temos que ajudar os irmãos venezuelanos", declarou.
O governo brasileiro já enviou uma missão humanitária à Venezuela, incluindo um hospital de campanha e equipes de saúde, em resposta ao desastre. A ONU estima que até 6,8 milhões de pessoas possam ter sido afetadas pelos tremores.
Apesar das chances de encontrar sobreviventes diminuírem com o passar dos dias, voluntários continuam seus esforços entre os escombros. Os tremores secundários persistem, aumentando o risco de novos danos.