Contaminação por Metais Pesados em Peixes do Baixo Amazonas Alerta para Riscos à Saúde e ao Meio Ambiente
Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) trouxe à tona uma preocupante constatação: os peixes do Baixo Amazonas estão contaminados com metais pesados. Substâncias tóxicas como mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo foram detectadas em espécies de peixes frequentemente consumidas pela população local, gerando preocupações sobre os impactos na saúde humana e no meio ambiente da região.
Espécies de Peixes Atingidas e Níveis de Contaminação
O estudo, liderado pelo Prof. Fábio Albuquerque, identificou que espécies como tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha apresentam altos níveis de mercúrio. Já peixes como acari e aracu mostraram concentrações significativas de arsênio. Esta contaminação compromete a segurança alimentar das comunidades que dependem desses peixes como principal fonte de proteína.
Mineração e Agricultura: Principais Fontes de Contaminação
A mineração, em especial a de ouro em Itaituba e os projetos de bauxita em Oriximiná e Juruti, foi apontada como um dos principais responsáveis pela poluição. O uso de mercúrio nos garimpos e os resíduos da extração de bauxita contribuem significativamente para a contaminação dos rios. Além disso, a expansão agrícola com o cultivo de soja e milho, aliada ao desmatamento e erosão do solo, está liberando poluentes nos ecossistemas aquáticos, agravando a situação ambiental.
Impactos na Saúde das Comunidades Ribeirinhas
A pesquisa da Ufopa destaca os riscos para a saúde das comunidades locais decorrentes do consumo de peixes contaminados. O mercúrio, por exemplo, está associado a danos neurológicos severos, enquanto o arsênio é conhecido por seu potencial cancerígeno. Este quadro de contaminação representa uma ameaça grave para as comunidades ribeirinhas, que têm no pescado uma de suas principais fontes alimentares.
Propostas para Mitigação e Segurança Alimentar
Os pesquisadores sugerem uma revisão urgente das diretrizes nacionais de segurança alimentar, dada a alta dependência das populações amazônicas do consumo de peixe. É crucial implementar um monitoramento mais rigoroso dos níveis de contaminação e das condições de saúde pública para refletir a realidade local. A questão que persiste para os moradores do Baixo Amazonas é se ainda é possível encontrar peixes não contaminados, destacando a necessidade de ações efetivas para a gestão ambiental e proteção da saúde pública.