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clock 1 de outubro de 2026
Impacto das Mudanças Climáticas no Voto dos Brasileiros

Impacto das Mudanças Climáticas no Voto dos Brasileiros

As consequências das mudanças climáticas têm se tornado cada vez mais tangíveis para os brasileiros, que enfrentam dificuldades como atrasos no transporte público após temporais, aumento nas contas de luz durante períodos de seca e deslizamentos que destroem moradias. Tais experiências cotidianas são suficientes para conscientizar a população sobre a crise climática, mesmo que muitos ainda desconheçam termos técnicos como "sequestro de carbono" ou "resiliência urbana". Essa realidade está cada vez mais presente nas decisões eleitorais, mesmo que não seja explicitamente mencionada nas campanhas.

A pauta climática no cenário político brasileiro

O debate sobre mudanças climáticas no Brasil já não se limita a especialistas. Regiões como o Sul enfrentam enchentes, o Nordeste sofre com a seca, o Norte lida com queimadas e o Centro-Oeste vê um aumento nos incêndios. Esses eventos extremos desafiam as instituições democráticas e seus líderes eleitos a responderem de forma eficaz. Quando falham, a confiança na democracia é abalada.

Relatórios de instituições como o IPCC destacam que eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas, tornaram-se mais frequentes. No Brasil, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) estima que 8,2 milhões de pessoas vivem em áreas de risco, e 1.942 municípios são extremamente vulneráveis, representando quase 35% do total de municípios.

O efeito climático nas urnas

Pesquisas indicam que a crise climática já influencia as decisões dos eleitores. Um levantamento realizado pela Ipsos-Ipec para o Instituto Clima e Sociedade (iCS) revela que 56% dos brasileiros acreditam que a crise climática terá um peso significativo nas eleições de 2026. Além disso, 67% dos entrevistados afirmam que as propostas ambientais dos candidatos serão determinantes em suas escolhas de voto.

Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) analisaram eleições municipais no Rio de Janeiro e concluíram que desastres climáticos podem reduzir em até 17 pontos percentuais o apoio a prefeitos que buscam a reeleição nas áreas afetadas. Para os cidadãos que enfrentam enchentes e deslizamentos, a adaptação climática deixou de ser um tema secundário, tornando-se uma medida crucial da capacidade de gestão dos governantes.

Iniciativas políticas em resposta à crise climática

Apesar dos desafios, algumas iniciativas políticas têm avançado. A Legisla Brasil, em parceria com a Bancada do Clima, que reúne 103 vereadores e deputados, promove o Projeto de Lei Escolas com Adaptação Climática (ECOA). Em 2024, o projeto foi apresentado em 43 cidades e aprovado em oito, incluindo São Paulo e Salvador. Essa proposta visa integrar a conscientização climática nas práticas pedagógicas das escolas, destacando-se pela diversidade política de seus apoiadores.

No Congresso Nacional, uma iniciativa semelhante foi aprovada, criando o Programa Nacional de Fomento às Escolas Resilientes, que agora aguarda apreciação no Senado. Essas ações refletem uma mudança importante no debate político sobre o clima no Brasil, mostrando que políticas públicas eficazes podem superar divisões partidárias rígidas.

A crescente demanda por respostas políticas

As mudanças climáticas já afetam o cotidiano de 85% dos brasileiros, segundo um levantamento do Aurora Lab e do More in Common. Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, aumenta a exigência por governos capazes de prevenir desastres e proteger a população mais vulnerável. No Legislativo, isso exige ouvir a sociedade, transformar diagnósticos em ações concretas e alocar recursos públicos de maneira criteriosa.

Políticos que ainda subestimam a questão climática devem reconsiderar suas posições. Em um país cada vez mais vulnerável, a capacidade de responder aos desafios climáticos está se tornando uma das maiores moedas políticas: a confiança, que pode se converter em votos.

* Lana Faria é diretora de operações da Legisla Brasil, uma organização suprapartidária dedicada ao fortalecimento da democracia representativa no Brasil.

Foto: Reprodução / News.google - RSS

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