A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, na última segunda-feira (4), o Instituto Butantan a produzir a vacina contra a chikungunya, denominada Butantan-Chik. Esta aprovação permitirá que o imunizante seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população à proteção contra o vírus. O público-alvo da vacina são adultos entre 18 e 59 anos que estão expostos ao vírus.
Com a autorização, o Instituto Butantan se oficializa como o local de fabricação nacional, garantindo a mesma qualidade, segurança e eficácia da vacina anteriormente produzida pelas fábricas da farmacêutica franco-austríaca Valneva. Segundo o governo do Estado de São Paulo, o processo de produção local permitirá a entrega do imunizante a um custo mais acessível.
Desempenho e Estudos Clínicos
Em estudos realizados nos Estados Unidos, aproximadamente 4 mil voluntários, com idades variando entre 18 e 65 anos, foram vacinados com o imunizante. Os resultados, publicados na revista de saúde The Lancet em 2023, indicaram que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes. Os efeitos adversos relatados foram, em geral, leves e moderados, incluindo dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, destacou a importância do marco: "Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança".
Implementação no Brasil e Aprovações Internacionais
Desde fevereiro de 2026, a vacina começou a ser aplicada no SUS em municípios que registram alta incidência da chikungunya, como parte de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. O imunizante também recebeu aprovação em outras regiões, como Canadá, Europa e Reino Unido, o que atesta sua eficácia e segurança em escala global.
Entendendo a Chikungunya
A chikungunya é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da dengue e do Zika vírus. A infecção causa febre de início súbito, dores intensas nas articulações e outros sintomas como dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2025 foram registrados 500 mil casos de chikungunya no mundo, sendo 127 mil no Brasil, com 125 óbitos.
Além dos sintomas agudos, a doença pode provocar dor crônica nas articulações, impactando significativamente a qualidade de vida dos afetados. A produção nacional da vacina pelo Instituto Butantan representa um avanço significativo na luta contra a chikungunya no Brasil.