As comunidades quilombolas situadas em Oriximiná, no oeste do Pará, estão vivenciando um notável avanço na produção alimentar, resultado de um esforço coletivo e organizado de reestruturação comunitária. Este avanço é parte de uma estratégia focada na segurança e sustentabilidade das unidades de beneficiamento de alimentos, impulsionada por uma agenda técnica intensiva realizada em março. O Programa Florestas de Valor, uma colaboração entre o Imaflora e a Petrobras, tem desempenhado um papel fundamental neste processo.
Fortalecimento da Gestão Comunitária
As melhorias implementadas fortaleceram a base agroextrativista regional. Um dos passos cruciais foi a revisão do regimento interno da Unidade de Beneficiamento de Alimentos (UBA) da comunidade de Boa Vista do Cuminã. Este processo estabeleceu regras mais precisas para o uso das instalações, elevando o nível de organização, transparência e capacidade de gestão das associações comunitárias. "O conjunto dessas ações fortalece a autonomia das comunidades e cria condições mais seguras e estruturadas para a produção e comercialização", afirmou Andréia Araújo, analista técnica do Imaflora.
Parcerias e Segurança Jurídica
Outro marco significativo foi a renovação do Termo de Cooperação entre a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombo Área Trombetas (ACORQAT) e o Imaflora, dentro do escopo do Programa Florestas de Valor. Este acordo não apenas assegura a segurança jurídica das ações, mas também garante que o planejamento das atividades esteja alinhado com as prioridades das comunidades, fomentando o protagonismo local no desenvolvimento territorial.
Aprimoramentos na Infraestrutura
As melhorias também se estenderam à infraestrutura produtiva. As UBAs de Boa Vista do Cuminã e Varjão passaram por adequações sanitárias e manutenção preventiva, criando condições mais adequadas para o processamento de alimentos. Estas melhorias são essenciais para que as comunidades possam acessar mercados mais exigentes. A atualização dos sistemas de energia solar também foi implementada, trazendo maior estabilidade operacional, reduzindo riscos de interrupções e assegurando a continuidade das atividades produtivas.
Desenvolvimento dos Sistemas Agroflorestais
O monitoramento contínuo dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) implantados está fornecendo dados técnicos valiosos que orientam o aprimoramento das práticas produtivas. Este monitoramento destaca a viabilidade de modelos que integram biodiversidade, recuperação do solo e geração de renda. A adesão crescente das comunidades à retomada de áreas produtivas e à implementação de novas Unidades Demonstrativas de Produção (UDPs) indica o fortalecimento deste modelo como uma estratégia econômica sustentável para a região.
Impactos no Desenvolvimento Sustentável
Os resultados dessas iniciativas refletem um progresso significativo: comunidades mais organizadas, estruturas produtivas mais robustas, maior capacidade de planejamento e um ambiente mais favorável à comercialização. Na prática, isso se traduz em mais autonomia, melhores condições de negociação e fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade, promovendo o desenvolvimento sustentável e a melhoria na qualidade de vida dos moradores das comunidades quilombolas de Oriximiná.