Nesta sexta-feira, 5 de junho, os Estados Unidos passaram a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Esta decisão, anunciada anteriormente pelo Departamento de Estado em maio, adiciona uma camada ao já existente enquadramento como "Terroristas Globais Especialmente Designados" (SDGT), que estava em vigor desde então. A intenção do governo americano é bloquear recursos que financiam atividades de "narcoterroristas violentos".
Implicações das Novas Classificações
As designações como SDGT e FTO possuem bases legais distintas e complementares. A classificação SDGT permite o bloqueio de bens e interesses controlados por entidades americanas sem necessidade de aprovação do Congresso. Em contraste, a FTO, embasada na Lei de Imigração e Nacionalidade de 1996, requer notificação ao Congresso e criminaliza o apoio material aos grupos.
Na prática, estas denominações possibilitam o congelamento de ativos, proíbem transações, vetam a entrada de membros das facções nos EUA e impõem a instituições financeiras americanas a obrigação de reportar fundos relacionados às facções ao Departamento do Tesouro. Violações podem resultar em penalidades severas.
Reações do Governo Brasileiro
Apesar da decisão dos EUA, não há impactos imediatos sobre a legislação brasileira, sendo necessárias ações internas para que estas medidas tenham validade local. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva não espera prejuízos imediatos à economia nacional, mas expressa preocupação com possíveis intervenções unilaterais sob o pretexto de combate ao terrorismo.
A participação de Lula na reunião do G7 na França, entre 15 e 17 de junho, pode abrir espaço para discussões bilaterais com o então presidente Donald Trump sobre as novas tarifas e classificações.
Apoio e Críticas Internas
Um levantamento da AtlasIntel revelou que 53,1% dos brasileiros apoiam a decisão dos EUA, enquanto 44,7% desaprovam. A população se divide sobre os efeitos, com 47,7% percebendo riscos à soberania nacional e 44,7% considerando a ação necessária para combater o crime.
Entre as forças de segurança, há visões mistas: enquanto alguns veem a medida como eficaz para sufocar as finanças das facções, outros temem que isso prejudique a cooperação com os EUA, especialmente se a interlocução migrar da Polícia Federal para a CIA, o que pode complicar o compartilhamento de informações.
Preocupações no Setor Econômico
No âmbito econômico, a designação traz preocupações sobre o sistema financeiro, com riscos de sanções a instituições ligadas a fundos investigados. Economistas alertam para o aumento da percepção de risco e a elevação de custos. Para o setor privado, a recomendação é reforçar controles internos, dado que o conceito de "apoio material" é abrangente.
O risco reputacional também é significativo: bancos estrangeiros poderiam limitar relações com instituições brasileiras, afetando transações em dólar. Especialistas sugerem que bancos e empresas com exposição internacional aprimorem as práticas de compliance para evitar sanções.
Além disso, há discussões sobre os meios de pagamento, com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressando preocupações sobre possíveis impactos no Pix, embora especialistas indiquem que o foco deve ser o tipo de relação com entidades ligadas às facções.