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clock 28 de setembro de 2026
Chuvas intensas não impedem recuo do Rio Tapajós em Santarém

Chuvas intensas não impedem recuo do Rio Tapajós em Santarém

Apesar da intensa precipitação que marcou o início de junho no oeste do Pará, o Rio Tapajós, localizado em Santarém, apresentou um comportamento contrário ao usual para esta época do ano, registrando um recuo gradual. Na sexta-feira, 5 de junho, a régua da Agência Nacional de Águas (ANA), instalada na Companhia Docas do Pará (CDP), indicou que o nível do rio estava em 7 metros, abaixo da cota de alerta de 7,10 metros.

Análise dos dados de monitoramento

Os dados monitorados pela Defesa Civil evidenciam um declínio de cinco centímetros no nível do rio durante a primeira semana de junho. No início da semana, em 1º de junho, o Tapajós registrava 7,05 metros. Este nível caiu progressivamente ao longo dos dias seguintes, atingindo 7,03 metros na terça-feira, 7,01 metros na quarta-feira e, após uma pequena oscilação para 7,02 metros na quinta-feira, voltou a recuar para 7 metros na sexta-feira.

Este comportamento é notável, especialmente em um período caracterizado por instabilidade climática na região, onde a combinação de altas temperaturas, umidade e a presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) têm gerado chuvas frequentes. No entanto, o volume de água não foi suficiente para elevar o nível do Tapajós.

Comparação com dados históricos

A redução do nível do rio é ainda mais evidente quando comparada aos registros históricos. Em 5 de junho do ano anterior, o rio estava a 7,32 metros, 32 centímetros acima do nível atual. A diferença é ainda mais acentuada em relação a 2022, com uma diferença de 72 centímetros. Durante a grande cheia de 2009, uma das mais significativas em Santarém, a régua marcava 8,18 metros nesta mesma data, 1,18 metro acima do nível observado atualmente.

Outro fator que reforça a tendência de vazante é a comparação com o final de maio. Em 26 de maio, o nível do rio era de 7,11 metros, ultrapassando a cota de alerta. Desde então, o rio perdeu 11 centímetros em apenas dez dias.

Previsões meteorológicas e fatores influentes

A previsão meteorológica sugere que as chuvas continuarão nos próximos dias. Institutos de monitoramento climático indicam que a atuação da ZCIT deve persistir, favorecendo a formação de nuvens carregadas sobre o estado, com possibilidade de chuvas fortes, trovoadas e acumulados significativos. Há alertas para possíveis transtornos locais devido ao excesso de chuva.

Especialistas ressaltam que o comportamento dos rios na Amazônia não depende exclusivamente das precipitações locais, mas também do volume de água que chega das áreas de drenagem ao longo da bacia hidrográfica. Por isso, episódios de chuva intensa nem sempre resultam em elevação imediata dos níveis dos rios.

Contexto climático do mês de junho

Historicamente, junho é um mês de alta precipitação no Pará, com média de mais de 20 dias de chuva e acumulados próximos a 175 milímetros. As temperaturas geralmente ficam em torno de 31°C. Ainda assim, o início de junho revela que o Tapajós continua em tendência de recuo, mantendo-se abaixo dos níveis registrados nos últimos anos e distante das grandes cheias que marcaram a história recente da região.

Foto: Reprodução / G1.Globo - RSS

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