Em uma decisão inédita, o Reino Unido anunciou que irá proibir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais, além de impor restrições a plataformas de jogos e transmissões ao vivo. A medida, revelada pelo primeiro-ministro Keir Starmer nesta segunda-feira, 15 de junho, visa proteger as crianças e adolescentes dos perigos associados ao uso excessivo da internet. As plataformas afetadas incluem Snapchat, TikTok, Instagram, YouTube, Facebook e X, embora serviços de mensagens como WhatsApp e Signal não sejam abrangidos pela proibição.
Objetivo e justificativas da medida
Starmer afirmou que as mudanças "devolverão a infância às crianças", destacando a importância de proporcionar um ambiente mais seguro e saudável. "Para mim, está claro que a proibição total é a escolha certa", disse ele em entrevista coletiva. Segundo o primeiro-ministro, a medida trará mais segurança, felicidade e oportunidades de desenvolvimento para os jovens.
Inspirado pelo modelo adotado pela Austrália, que implementou uma proibição semelhante em dezembro do ano passado, o governo britânico considera essencial limitar o contato entre crianças e estranhos na internet. "Existe alguma situação no mundo real em que você deixaria seu filho se conectar com um estranho, um adulto que você não conhece? Não, e é por isso que estamos tomando medidas nesse sentido", declarou Starmer.
Implementação e impacto esperado
A proibição deverá entrar em vigor nos próximos meses, conforme as regulamentações sejam concluídas até o final do ano, com plena implementação prevista para a próxima primavera. O governo britânico já possui poderes para dar início às primeiras etapas dessa regulamentação.
A decisão faz parte de um conjunto de ações mais amplas do Reino Unido para endurecer sua abordagem em relação às empresas de tecnologia, que incluem a exigência de verificação de idade e ajustes de algoritmos para proteger os jovens. Além disso, há uma crescente conscientização sobre os riscos à saúde mental associados ao uso excessivo de redes sociais por crianças.
Consultas e reações à medida
Antes da decisão, o governo britânico realizou amplas consultas com professores, pais e jovens. Um total de mais de 116 mil respostas foi coletado, com mais de 83% dos responsáveis afirmando que os riscos das redes sociais superam os benefícios. Além disso, 90% dos participantes apoiaram a idade mínima de 16 anos para acessar as plataformas.
Apesar do apoio significativo de pais e políticos, a medida enfrenta críticas de alguns psicólogos e pesquisadores que questionam sua eficácia. Um grupo de estudantes em Londres expressou opiniões mistas à agência de notícias Reuters sobre seu relacionamento com a tecnologia.