Uma jovem de 22 anos está no centro de uma investigação que apura o desvio de aproximadamente R$ 500 mil de um supermercado em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia. De acordo com a Polícia Civil, a funcionária teria realizado anotações financeiras falsas para retirar valores do estabelecimento ao longo de dois anos, enquanto mantinha um padrão de vida superior ao que seu salário de cerca de R$ 3 mil mensais permitia.
O delegado Henrique Berocan, responsável pelo caso, relatou que a suspeita afirmou ter conseguido parte do dinheiro através de apostas em jogos de azar, especificamente o 'jogo do tigrinho'. Durante as investigações, foram identificados bens e gastos que não condiziam com sua renda, como a compra de um iPhone 17 Pro Max, uma tatuagem de R$ 5 mil e um carro para o marido atuar como motorista de aplicativo.
Modus operandi do desvio
A jovem, que trabalhou por cerca de cinco anos na rede de supermercados, teria usufruído de sua posição de confiança para acessar o setor financeiro da empresa, segundo a Polícia Civil. As investigações indicam que ela criou registros falsos de valores recebidos, permitindo-lhe retirar dinheiro sem levantar suspeitas. Em um dos casos, R$ 14 mil foram movimentados, mas apenas R$ 270 foram efetivamente depositados no caixa do supermercado.
Os investigadores estimam que o esquema durou aproximadamente dois anos, resultando em um desvio total que pode alcançar R$ 500 mil, embora este valor ainda precise ser confirmado. A polícia já considera solicitar bloqueio e sequestro de bens suspeitos, além de quebrar o sigilo bancário da funcionária.
Prisão e defesa
A jovem foi presa em 10 de agosto, mas liberada após audiência de custódia no dia seguinte, conforme o Tribunal de Justiça de Goiás. Apesar de não possuir antecedentes criminais, ela é investigada por furto qualificado. O delegado Berocan também indicou que o marido da suspeita pode ser investigado por receptação, caso se prove que ele sabia da origem ilícita do dinheiro usado na compra do carro em seu nome.
Em contrapartida, a defesa da investigada nega as acusações, alegando que ela foi injustamente acusada e contestando o valor de R$ 500 mil divulgado pela polícia. Segundo os advogados, o boletim de ocorrência inicial mencionava um desvio de pouco mais de R$ 1 mil. A defesa também criticou a legalidade da prisão e uma entrada na residência da jovem à noite, sem mandado judicial.
Os advogados enfatizaram que nenhum valor ou prova dos desvios foi encontrado na casa da cliente e que irão contestar as acusações no decorrer da investigação, pedindo respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência. A polícia, por sua vez, pretende aprofundar a investigação para verificar o valor efetivamente desviado, o destino dos recursos e se outras pessoas estavam envolvidas no esquema.