Crescimento da facção venezuelana no Brasil
A Polícia Civil de Roraima revelou que desde 2018 a facção Tren de Aragua, originária da Venezuela, vem expandindo suas atividades no Brasil. A organização é acusada de conduzir um complexo esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de armas, principalmente para o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. Essa operação ilegal abrange diversos estados brasileiros, com um foco principal no uso de criptomoedas para ocultar recursos ilícitos.
Investigações e operações policiais
A investigação, conduzida pela Draco (Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas), revelou que Roraima é um corredor estratégico para a movimentação de armamentos provenientes da Venezuela, Colômbia e Estados Unidos, destinados ao Rio de Janeiro e Amazonas. Uma fonte de inteligência afirmou que "o Rio de Janeiro só é o que é hoje por conta dos fuzis, e o Tren de Aragua é um dos fornecedores".
A Operação Rota do Norte, deflagrada nesta terça-feira (16), teve como alvos principais os mercadores de armas. As autoridades também apreenderam mais de R$ 300 milhões em criptoativos, movimentados por um dos principais operadores financeiros da facção.
Operação Rota do Norte: alvos e resultados
A ação policial foi realizada em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, resultando na emissão de 25 mandados de prisão preventiva, 18 deles contra venezuelanos. Até agora, 13 mandados foram cumpridos. Além disso, foram realizadas 30 buscas e apreensões, culminando na captura de drogas e armas, como ecstasy, cocaína, pistolas e munições de diversos calibres.
A operação contou com apoio internacional da Chainalysis para rastreamento de ativos virtuais, evidenciando a preocupação com a crescente utilização de criptomoedas por organizações criminosas. A Polícia Civil busca enfraquecer a capacidade financeira e logística do Tren de Aragua, interrompendo ações criminosas interligadas ao tráfico de drogas e armas.
Impacto e análise das autoridades
Apesar da complexidade do esquema, as autoridades consideram que a operação financeira da facção no Brasil não alcança o nível de sofisticação de outras organizações criminosas atuantes no país, como o PCC. Entretanto, a operação representa um passo significativo na luta contra o crime organizado transnacional.
A iniciativa também reflete os avanços nas estratégias de combate ao crime organizado, com investimentos em tecnologia e inteligência. Espera-se que novas operações sejam realizadas nos próximos meses, visando desarticular outras grandes organizações criminosas em atividade no Brasil.