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clock 30 de outubro de 2026
Unicef alerta: 15 milhões de crianças expostas a conteúdo sexual online

Unicef alerta: 15 milhões de crianças expostas a conteúdo sexual online

Preocupante levantamento sobre riscos digitais

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou dados alarmantes, indicando que cerca de 15 milhões de crianças e adolescentes foram expostos a conteúdos sexuais indesejados na internet. Este levantamento, que abrange 21 países, também aponta que aproximadamente 20 milhões de jovens sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em apenas um ano.

O relatório, intitulado “Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil”, lançado nesta semana, descreve os perigos enfrentados por menores no ambiente digital e sugere que os números reais podem ser ainda maiores. A subnotificação, segundo o Unicef, é um desafio central para enfrentar essas violações.

Redes sociais e jogos online sob escrutínio

As redes sociais e aplicativos de mensagens, como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp, são os principais locais onde essas violações ocorrem, representando cerca de 60% dos casos. Os jogos online também são mencionados como ambientes de risco, concentrando 14% das ocorrências. Essas plataformas oferecem dinâmicas que podem facilitar a manipulação das vítimas, especialmente quando os agressores constroem uma relação de confiança durante as interações.

Contrariando a crença de que a violência sexual online é majoritariamente perpetrada por desconhecidos, o estudo revela que 57% dos casos envolvem pessoas do convívio das vítimas, como familiares e amigos. Ainda assim, 38% das vítimas conheceram inicialmente seus agressores pela internet, destacando o perigo das contas falsas e mensagens privadas.

Impacto emocional e subnotificação

Os dados foram coletados a partir das percepções de 21 mil crianças e adolescentes, entre 12 e 17 anos, em um estudo realizado entre 2020 e 2025. Os relatos incluem experiências de coerção e chantagem, como uma jovem brasileira que foi ameaçada por um agressor que exigia mais fotos sob ameaça de expor conversas privadas.

No Brasil, 19% dos entrevistados relataram ter sido vítimas desse tipo de violência, correspondendo a quase 3 milhões de crianças e adolescentes. Assustadoramente, menos de 1% desses casos foram denunciados. A internet foi o local mais comum para esses abusos, com 55,5% das ocorrências reportadas, enquanto 24,5% aconteceram em escolas. Aplicativos de mensagens e redes sociais foram considerados os canais de maior risco.

A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, enfatizou: "Essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso". O Unicef destaca a urgência em ampliar ações de prevenção, mecanismos de denúncia e redes de proteção para que crianças e adolescentes possam identificar e reagir a situações de violência.

Foto: Reprodução / DOL - RSS

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