No cenário de desafios históricos relacionados à segurança pública e desigualdades sociais no Pará, as Usinas da Paz emergem como uma solução inovadora. Desde sua implementação, essa política pública tem promovido inclusão social e cidadania, redesenhando a realidade de muitas comunidades. Em 2025, dados indicaram uma redução de até 95% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) nas áreas atendidas por esses complexos, refletindo uma transformação significativa no panorama da violência local.
Estratégia de prevenção e inclusão
Mais do que números, o sucesso das Usinas da Paz está na prevenção como estratégia central. O programa oferece uma ampla gama de serviços gratuitos, desde saúde e educação até cultura e qualificação profissional. Essa abordagem tem se mostrado eficaz desde a inauguração da primeira unidade em 2021, com 28 complexos atualmente operacionais e mais de 12 milhões de atendimentos realizados.
O secretário de Segurança Pública do Pará, coronel Ed-Lin Anselmo, destacou o papel crucial dessa iniciativa na redução da criminalidade. "As Usinas da Paz têm um papel estratégico na redução da criminalidade, porque atuam diretamente na prevenção e na ampliação de oportunidades, gerando emprego e renda a famílias antes desassistidas", afirmou. "Quando levamos serviços, oportunidades e presença do Estado para dentro das comunidades, conseguimos transformar realidades e prevenir a violência de forma efetiva", completou.
Expansão do programa na Grande Belém
Recentemente, o programa expandiu-se para Santa Izabel do Pará, com a inauguração da 28ª Usina da Paz no bairro Vale do Porangaba, beneficiando mais de 73 mil moradores na Região Metropolitana de Belém. Na cerimônia de abertura, a governadora Hana Ghassan destacou o impacto transformador do projeto. "Esse é o maior projeto de inclusão social do Brasil. Mais que um prédio bonito, a Usina representa oportunidade e futuro", declarou.
O compromisso com a expansão continua, com dez novas unidades em construção em vários municípios do estado.
Impacto real nas comunidades
Os efeitos das Usinas da Paz são tangíveis no dia a dia dos moradores. Na Cabanagem, em Belém, a agente comunitária de saúde Isabelle Monteiro destacou a transformação ocorrida após a chegada do complexo. "Quando a Usina veio para cá, houve respeito e empoderamento. As pessoas passaram a ter a oportunidade de viver com mais segurança", relatou. Antes, a violência era uma constante, com frequentes assaltos e homicídios na região.
Após quatro anos de funcionamento, a unidade da Cabanagem já realizou 1,7 milhão de atendimentos, alterando drasticamente a realidade local. A mudança também se refletiu na economia e no uso dos espaços públicos, com um aumento no empreendedorismo e na circulação segura dos moradores.
Revitalização comunitária em Terra Firme
Na Terra Firme, outro bairro beneficiado, o vendedor Anselmo Azevedo observou mudanças semelhantes. "A mudança é visível. As pessoas voltaram a ocupar os espaços. As famílias participam das atividades e o sentimento de segurança aumentou", afirmou. Isso demonstra que investimentos em inclusão, educação, cultura e esporte têm um impacto real e transformador na redução da violência.
Uma nova esperança para o futuro
Integradas ao programa Territórios pela Paz (TerPaz), as Usinas da Paz promovem inclusão social e melhoram a qualidade de vida em áreas vulneráveis, proporcionando mudanças estruturais duradouras. Além dos indicadores de segurança, há um fortalecimento do sentimento de pertencimento e orgulho das comunidades atendidas. "Hoje existe, sim, um orgulho muito grande, quando alguém pergunta onde a gente mora. A resposta vem hoje, sim, com orgulho: 'Eu moro lá na Cabanagem, perto da Usina'", afirmou Isabelle Monteiro.
Consolidação e futuro das Usinas da Paz
O Pará conta atualmente com 28 Usinas da Paz em funcionamento, distribuídas entre a capital, a Região Metropolitana de Belém e municípios do interior. Com a construção de mais dez unidades, o alcance da política pública se amplia. Os resultados expressivos e as mudanças concretas na vida da população consolidam o programa como uma das principais estratégias do estado para enfrentar a violência por meio da inclusão social, prometendo redesenhar o futuro das comunidades paraenses.