Na Ilha do Mosqueiro, em Belém, Pará, um incidente de intolerância religiosa chocou a comunidade e despertou preocupação entre líderes religiosos e autoridades. Um terreiro de Candomblé foi alvo de vandalismo, quando um agressor, utilizando uma enxada, danificou parte significativa do telhado da "casa de santo". Este ataque não apenas destruiu a estrutura física, mas também representou uma violação simbólica e espiritual do espaço sagrado.
Reações e Medidas Tomadas
O Movimento Atitude Afro Pará, uma entidade que luta pela defesa dos direitos das religiões de matriz africana, tomou medidas imediatas após o ataque. Em um comunicado à Secretaria de Segurança Pública (Segup) e ao Ministério Público do Pará, o movimento classificou o ato como "monstruoso" e exigiu uma resposta rápida e eficaz das autoridades. "É um ato monstruoso que se repete. Queremos respostas e que o criminoso seja penalizado conforme a lei", declarou a organização em uma nota de repúdio.
Dados Alarmantes sobre Racismo Religioso
Este ataque não é um caso isolado no estado. De acordo com a Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), entre abril e dezembro de 2023, houve pelo menos nove incidentes de racismo religioso registrados no Pará. Um caso semelhante ocorreu na mesma Ilha do Mosqueiro, onde um terreiro de umbanda teve suas imagens de caboclos e orixás destruídas.
Esforços para Combater a Violência
A Seirdh, criada em 2023 para enfrentar a violência contra religiões de matriz africana, está ativamente envolvida no apoio às vítimas e na articulação com o sistema de segurança pública. A criação de um Comitê Permanente de Matriz Africana do Pará, no âmbito do Conselho Estadual de Segurança Pública (Consed), visa implementar políticas específicas de proteção aos povos de terreiro.
Procedimentos para Denúncia
A Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios e Homofóbicos (DCCDH) da Polícia Civil, localizada na Cidade Velha, Belém, é especializada no registro desse tipo de ocorrência. Denúncias podem ser realizadas anonimamente pelos números 190 (Ciop) e 181 (Disque-Denúncia), ou diretamente junto à Seirdh, garantindo que os responsáveis por tais atos sejam identificados e punidos.
Conclusão
O ataque ao terreiro de Candomblé em Mosqueiro é um lembrete doloroso da intolerância religiosa persistente no Pará. A resposta das autoridades e movimentos sociais será crucial para garantir justiça e prevenir futuros ataques. A luta pela liberdade religiosa e o respeito às crenças de matriz africana continua a ser uma prioridade para a sociedade paraense.