Em um movimento estratégico enquanto aguarda o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), a comissão responsável pela PEC do fim da escala 6x1 realiza seminários em dois estados nesta quinta-feira, 21 de maio. Inicialmente previsto para ser apresentado na quarta-feira, 20 de maio, o relatório sofreu atraso devido a desentendimentos entre governo e oposição sobre o período de transição da nova regra. Prates prometeu entregar o texto na próxima semana, com a expectativa de votação marcada para 28 de maio.
Impasse e negociações nas esferas política
A disputa central gira em torno da implementação do fim da escala 6x1. O governo deseja uma aplicação imediata, enquanto a oposição sugere um período de transição de até quatro anos para alcançar as 40 horas semanais. Prates busca um consenso, possivelmente entre dois e três anos de transição, para equilibrar os interesses. O deputado tem discutido a proposta com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e outros representantes políticos para tentar resolver o impasse.
Seminários em Belo Horizonte e Florianópolis
Na manhã desta quinta, os membros da comissão estarão em Belo Horizonte para um seminário na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Além de Prates, o evento contará com a presença do presidente do grupo, Alencar Santana (PT-SP), do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e dos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Luiz Marinho (Trabalho). Posteriormente, Prates e Santana seguirão para Florianópolis, onde participarão de um segundo seminário na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, junto a representantes de centrais sindicais e federações econômicas, além do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC).
Expectativas para a votação e discussões em andamento
Com o adiamento da apresentação do relatório, o cronograma de tramitação foi impactado. O presidente da Câmara, Motta, esperava que a votação ocorresse nos dias 26 e 27 de maio, mas agora a data prevista é 28 de maio. Prates indicou que apresentará o relatório em 25 de maio, permitindo ajustes mínimos antes da votação. A comissão analisa duas propostas que tramitam juntas, uma de 2019, de autoria do deputado Lopes, e outra de 2022, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), ambas defendendo a redução da jornada sem perdas salariais.
Impactos econômicos e posições divergentes
Um ponto crítico em discussão é a compensação para as empresas. Setores econômicos alegam que a redução da jornada implicará um impacto financeiro de R$ 160 bilhões e solicitam medidas de amortização. No entanto, o governo se opõe firmemente a essa ideia, argumentando que conquistas trabalhistas anteriores, como a CLT e a redução da jornada em 1988, não tiveram apoio estatal. A comissão especial continua a avaliar o mérito das propostas e considera a possibilidade de incentivos ao setor produtivo para mitigar potenciais impactos econômicos.