Preocupação Global com o Clima
As mudanças climáticas emergiram como uma das principais preocupações entre jovens e adultos ao redor do mundo, impulsionando um fenômeno conhecido como ansiedade climática. Esse tema foi profundamente explorado por especialistas durante o programa CNN Sinais Vitais, com a participação do Dr. Roberto Kalil.
Entendendo a Ansiedade Climática
A psiquiatra Camila Magalhães Silveira, do Hospital Sírio Libanês, define a ansiedade climática como um fenômeno recente, resultante da crescente percepção das mudanças climáticas como uma questão global de grande impacto. "No Brasil, por exemplo, temos 40 milhões de pessoas expostas a situações climáticas adversas", destacou Camila.
Ela explicou que a ansiedade climática pode se manifestar de duas formas distintas: diretamente, em indivíduos que experienciam desastres naturais, como as enchentes no Rio Grande do Sul, e indiretamente, por meio de consequências sociais, como a perda de empregos e meios de subsistência devido às alterações climáticas.
Impacto nos Jovens
Os adolescentes são particularmente vulneráveis à ansiedade climática. Camila ressaltou que muitos jovens questionam o legado ambiental que estão recebendo e criticam a falta de prioridade dada às questões climáticas. "Para eles, com o mundo ameaçado, outras preocupações se tornam secundárias", afirmou.
Um estudo conhecido como PENSE, envolvendo mais de 120 mil estudantes brasileiros, revelou que quase metade dos jovens se preocupa constantemente com o futuro, o mundo, o trabalho e os efeitos do clima em suas vidas e famílias.
Ansiedade no Consultório
O psiquiatra Guilherme Polanczyk, da FMUSP, explicou que as preocupações climáticas se manifestam nos jovens principalmente através da incerteza. "A incerteza, combinada com a sensação de impotência, é um grande motor para a ansiedade", comentou.
Guilherme destacou que a ansiedade é a manifestação clínica mais comum observada em consultórios, mas também podem ocorrer alterações de humor, pessimismo, uma visão negativa da vida e do futuro, irritabilidade e mudanças comportamentais.
"Esses fenômenos culturais e sociais impactam o cérebro de maneiras diversas, sendo a ansiedade a mais frequente", concluiu o psiquiatra.
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