Setembro Amarelo e o Impacto no Ambiente de Trabalho
A campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio e promoção da saúde mental, destaca a importância da saúde mental no ambiente profissional. Em 2026, a discussão tornou-se ainda mais relevante com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Desde 26 de maio, os riscos psicossociais passaram a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Atualização da NR-1 e Suas Implicações
Segundo o advogado trabalhista Felipe Fadul, a atualização da norma não implica que qualquer transtorno psicológico seja automaticamente responsabilidade do empregador. "A atualização da NR-1 não significa que toda doença psicológica seja atribuída ao empregador. O que muda é a necessidade de olhar de forma mais estruturada para os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho e adotar medidas de prevenção", explica Fadul.
Na prática, as empresas precisam estar atentas a situações que possam impactar a saúde mental dos funcionários, como sobrecarga de trabalho, cobranças excessivas, assédio e problemas na organização das atividades. A análise deve considerar fatores como jornada, volume de trabalho, metas, ambiente organizacional e histórico profissional.
Responsabilização das Empresas
A responsabilização de uma empresa pode ser discutida quando houver evidências de que condições inadequadas de trabalho contribuíram para o adoecimento. Situações como humilhações repetidas, assédio, cobranças abusivas e ausência de medidas preventivas são analisadas. O mesmo se aplica aos casos de síndrome de burnout, que requerem uma avaliação específica das circunstâncias de cada caso.
É fundamental que existam elementos médicos, técnicos e jurídicos que demonstrem a relação entre o trabalho e o problema de saúde, para que a empresa possa ser responsabilizada.
Importância da Prevenção
Com a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, a prevenção assume um papel crucial nas empresas. Fadul enfatiza que as organizações não devem esperar que o trabalhador adoeça ou apresente uma denúncia para tomar providências. "A empresa precisa trabalhar com prevenção. Não basta agir quando surge uma denúncia ou quando o trabalhador já está afastado."
Entre as medidas recomendadas estão a identificação dos fatores de risco, criação de canais seguros de comunicação, treinamento de gestores, investigação de denúncias de assédio e documentação das providências adotadas.
Dicas para os Trabalhadores
Trabalhadores que percebem impactos negativos do trabalho em sua saúde devem procurar atendimento médico ou psicológico. O acompanhamento profissional é essencial tanto para o cuidado com a saúde quanto para a avaliação adequada do quadro. Preservar documentos e registros obtidos de maneira lícita, como e-mails e mensagens profissionais, pode ser vital para esclarecer as circunstâncias enfrentadas.
Situações de assédio ou condições inadequadas devem ser comunicadas aos canais internos da empresa, quando disponíveis. "A pessoa que percebe que o trabalho está afetando sua saúde não deve esperar a situação chegar ao limite. Buscar atendimento médico ou psicológico é fundamental", reforça o especialista.
A atualização da NR-1 sublinha que a saúde mental deve fazer parte das políticas de prevenção de riscos no ambiente profissional, incentivando tanto trabalhadores quanto empresas a identificar problemas precocemente e buscar ajuda especializada.